Zuca" acompanha a trajetória de Bárbara, uma advogada brasileira que decide recomeçar a vida em Lisboa ao lado do marido engenheiro, Wagner, e do filho de cinco anos, Zeca. A mudança para Portugal é impulsionada pela busca por segurança — desencadeada pelo trauma de um episódio de violência no Rio de Janeiro — e pela tentativa de deixar para trás as marcas de uma reprovação num concurso para o Ministério Público e o subsequente escândalo em que se envolveu. Instalada na capital portuguesa, a família encara os desafios da adaptação, as barreiras linguísticas e socioculturais, e a burocracia do cotidiano imigrante. No entanto, sob a fachada da transição para o "Primeiro Mundo", emergem tensões profundas: Bárbara lida com seus próprios preconceitos, o fantasma de suas atitudes no Brasil e o preconceito xenófobo e de classe que encontra na nova terra. Mesclando o relato de viagem, o conflito psicológico e a sátira social, o romance explora os dois sentidos do termo que lhe dá título — desde a gíria para "brasileiro" até o significado de "pessoa parva, amalucada" ou "embriagada". Com uma escrita afiada e provocativa, a narrativa contrapõe a promessa da estabilidade europeia aos dilemas morais, à memória colonial e aos fantasmas do passado que insistem em acompanhar quem tenta recomeçar.